sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Casa das Oficinas: uma idéia que deu certo.

A Casa das Oficinas é um projeto de geração de renda localizado na região noroeste de Campinas – SP.Funciona numa casa alugada pela Prefeitura e é aberta a comunidade.
Atualmente conta com 07 funcionários e cerca de 67 usuários.
Visitamos a casa e constatamos junto à Iza (artista plástica coordenadora da Oficina de Transformação e Cheiro de Arte) e William, Roberta (participantes da oficina) que o trabalho pode gerar renda e preparar para o retorno ao mercado, ao mesmo tempo em que pode ser terapêutico por ajudar na organização de cada um e a buscar o bem estar diário e realizar sonhos.


Entrevista com Iza:
1- Como surgiu a Casa das Oficinas?
Surgiu há 5 anos (março de 2004), da junção de dois serviços (CAPS Integração e Centro de Saúde Integração) junto com as oficinas unificadas com grupos que faziam oficinas de mosaico, tecido, linhas e bijouterias e vendiam os produtos nas feiras de Centro de Convivência, eventos e outros. Com auxílio do distrito de saúde noroeste, conseguiu-se efetivar o serviço de geração de renda na região, com o aluguel da casa e com a contratação de recursos humanos
2- Quem é o responsável técnico e administrativo? De onde vem os recursos?
Responsável é a Andréa (TO).
Os recursos vem da Prefeitura, pelo convênio com o Cândido Ferreira. Tanto recursos humanos quanto materiais. Além disso, uma porcentagem dos recursos é da venda dos produtos.

3- Quem pode participar da Casa das Oficinas? É somente para pacientes da saúde mental ou há participação da comunidade?
Pessoas encaminhadas pelos Centros de Saúde, pelo CAPS, pessoas que moram na região ou que vem a partir da divulgação dos próprios frequentadores da Casa.
Qualquer pessoa que necessite de um projeto de geração de renda e que tenha condições e de conviver com outras pessoas

4- Quais são as atividades e horários de funcionamento?
Diariamente, de segunda-feira a sexta-feira, daas 8h às 17h.
As oficinas que acontecem são:
· Cheiro de Arte: terça-feira e quarta-feira de manhã (8:30h às 11:30h)
São produzidos sabonetes, velas, sais de banho, sabonete líquido e sachês.
· Transformação: segunda-feira e quinta-feira, das 8:30h às 11:30h
quarta-feira e sexta-feira, das 13:30h às 16:30m
São feitas bonecas a partir de jornal e grude, e decopagem com tintas em figuras na madeira pintada.
· Culinária: Sabor da Vida
Segunda-feira a sexta-feira pela manhã, das 8:30h as 12h e das 13h às 17h
· Cacos e trecos: quarta-feira e sexta-feira pela manhã, e as vezes à tarde
São produzidos objetos com a técnica do mosaico.
· Harmonia: segunda-feira a quinta-feira, pelaq manhã e à tarde.
São feitas bijouterias, bolsas, boneca artesanal.
Para participar de uma delas, é necessário marcar um dia para fazer o cadastro (toda sexta-feira) pela manhã. No final do cadastro a pessoa escolhe a oficina de interesse e assim que tiver vaga a pessoa é chamada.

5- Qual a finalidade das atividades para o paciente?
O objetivo principal não é terapeutico, é de reinserção no mundo do trabalho. Mas, muitas vezes, acaba sendo também terapeutico.
Quando a pessoa vem para cá a gente acredita que a pessoa pode inserir-se no mercado de trabalho, fazer parte do mundo economicamente ativo, recuperar a dignidade, sentir-se capaz. Podemos ajudar a pessoa a descobrir os talentos dela e valorizar a pessoa dela.

6- Como é a remuneração das pessoas que trabalham na Casa das Oficinas?
A remuneração dos funcionários é feita pela prefeitura e pelo Candido Ferreira.
Dos usuários, é feita a partir da venda de produtos. Tudo que é vendido, o dinheiro vem para a Casa das Oficinas. Uma parte do dinheiro é tirada para a oficina, o restante é dividido por todos da oficina de acordo com o número de encontros da oficina e a frequencia de cada um nas oficinas.

7- Onde vocês vendem e divulgam os produtos da Casa?
Nos shoppings, feiras, congressos, no Armazém das Oficinas, seminários e encontros.
8- Como é o contrato de trabalho e as regras?
O usuário vem para cadastro às 6f, conhece o serviço, são colhidas informações sobre sua vida laboral, tratamentos de saúde e outros. Ele escolhe as oficinas e comunicamos tão logo tenha vaga. Com três faltas consecutivas, sem justificativa, a pessoa perde a vaga.
Quanto à equipe, a contratação só é possível mediante a autorização da prefeitura e deliberação de vaga. Hoje temos 2 vagas para monitor e 1 para vigia, no aguardo de liberação para contratação.

9- Caso o paciente entre em crise durante o trabalho, qual o procedimento dos profissionais?
Se a crise acontece aqui dentro, é solicitada ajuda e encaminhamos ao local de tratamento.
A vaga fica garantida e quando a pessoa volta às vezes é necessário que ela se readapte.
10- Qual a formação dos funcionários?
Temos 3 Terapeutas Ocupacionais (Andréa, Adriana e Cristiane), 1 psicólogo (Rodrigo), 1 educadora social (Isa), 1 Monitora (Cláudia).

11- Qual a faixa etária aceita na Casa das Oficinas?
Não aceita crianças e adolescentes. Cada caso é discutido em equipe antes da inserção, depende do caso.

Entrevista com Willian

1- O que mudou na sua vida após iniciar o tratamento na casa das oficinas?
Mudou bastante.
Aprendi a fazer mosaico, mandala. Comecei na Tainã, depois comecei a fazer mosaico.
Aprendi a fazer diversas coisas, tem diversos trabalhos...
Fiz amigos, conheci pessoas de fora.
Eu também fazia feirinha, mas paramos porque não tinha carro.
Aqui todo mundo ajuda todo mundo.
2- Melhorou sua convivência com os familiares?
Melhorou com meu irmão, com minha família.
As vezes brigava com meu pai, quando entrei aqui melhorei.
Quando faço as coisas aqui as pessoas ficam sabendo, vou na PUC fazer trabalho, tenho bastante encomenda, participo de palestras.
3- Há uma exigência de produção?
Tem bastante produção, lucro
A gente faz por encomenda, só saio de um serviço quando termino outros.
A gente recebe de acordo com nossa frequência, divide o lucro por todos de acordo com nossa frequência e a produção da oficina é dividida por todos.
4- Há indisciplina?
Aqui tem disciplina, se você tiver nervoso você conversa, descansa ou vai para casa.
Aqui não obriga ninguém, aqui você pode fazer do seu jeito.
5-Como é a convivência de vocês com as pessoas que fazem tratamento na Saúde Mental?
A gente conversa, brinca, ajuda a organizar.
A gente conversa, entende os problemas. Se precisar chamamos a Andréa e tentamos ajudar um ao outro.
6-Oferecem alimentação na casa das oficinas? Como você faz para se alimentar?
As vezes tem, as vezes eu trago de casa.
Tem café, pão, bolacha.
Quando eu trago a gente divide.
As vezes a gente compra da culinária.
A gente traz almoço de casa e esquenta no microondas.